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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Casal


Por que você está triste?

Não estou triste.

Então por que você está chorando?

Porque você brigou comigo.

Mas eu não briguei com você.

É verdade.Você não brigou.

Então por que você está triste?

Não estou triste.

Então por que você está chorando?

Ah, estou em um dia assim chorosa. Chorando por chorar. Chorando pouquinho e baixinho só pra aliviar dos dias que não chorei. Tem tanto tempo que não choro!

Isso não faz sentido. Por que você não quer me dizer o motivo?

Porque não existe. É um choro sem tristeza e sem alegria. Choro de entrega, choro de caminhada, choro de existir.

Você está de TPM?

Não.


Ela enxuga as lágrimas e desiste de tentar explicar. Ele continua olhando desconfiado e desiste de tentar entender.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Bate Pri" perde para Maximiliano


A cachorra não ganhou. Já ganhou gay, gay enrustido, pobrinho, falso pobrinho, garanhão, mas cachorra ainda é demais para o “Brasil”, essa entidade que ainda não digere bem mulher que rebola até o chão ficar milionária (a não ser que ela fique milionária rebolando até o chão, sacou?).

E minha avassaladora decepção com a final do BBB (que eu já assumi que assisto desde o segundo post) me fez mudar de lado. Se antes eu defendia o entretenimento voyer, hoje, eu acho uma inutilidade sem sentido. O que existe de tão interessante em ver a vida alheia? Em outros realities shows, como o Supernanny você ainda aprende techniques fajutas e fica se sentindo mais capaz de criar uma criança do que a vizinha que teve cinco filhos e ainda cuidou do sobrinho. Mas e o BBB? Em nove edições eu só aprendi duas coisas: o “Brasil” pensa diferente de mim e sabão em pó mata formigas.

A curiosidade pela vida alheia é o que nos faz colocar a cara pra fora da janela tentando ver o vizinho gritando com o filho. O que pode ser mais ridículo do que isso? Em casos extremos, pode até descambar para crime. Com tanto conteúdo pornográfico disponível na rede, o que levou aqueles caras a colocarem uma câmara escondida no banheiro do um navio? E em banheiro público de metrô também tem gente, como diz o jornalista/apresentador, querendo dar uma espiadinha. Fica aqui a dica: espiar tem limites até para o Boninho. E, por falar em rede, quer um lugar mais impulsionado pelo voyerismo do que a internet?

Bom, vou desde já trabalhar para expurgar essa perversão de dentro de mim e aconselho vocês a fazerem o mesmo. Pelo menos até o BBB 10.

Gente, tô indignada com o Maximiliano achando que o “Brasil” ama ele.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Bem-vinda

Da porta de casa, escuto a notícia: “eles vão ter uma menina”.

- Coitado! – a exclamação melancólica parece sair da boca da futura bisavó;
- Não estou triste. Só decepcionado – ameniza uma voz masculina;
- Já eu fui competente. Tive um menino – enaltece outra voz masculina um pouco mais alegre;

Apesar dos sons das vozes me serem bem familiares, corro para a sala com a esperança de encontrar a TV ligada na novela clone de O Clone. Infelizmente, constato que o diálogo absurdo não foi pronunciado pelos indianos caricatos de Glória Perez.

De repente, sou tomada de uma sensação de terror e me vem à memória um filme B da década de 80 no qual acontece não-sei-o-quê e as personagens ficam presas em um passado sombrio.

Corro esbaforida, sinto meu coração palpitando, a garganta seca. Abro o jornal e grito aliviada: 2009! Estamos em 2009!

Relembro o diálogo e o alívio, subitamente, se transforma em perplexidade.

A menina que está por vir logo perceberá que, por mais que as aparências enganem, na sua família são as mulheres que mandam. Algumas com jeito, outras com falta de jeito, conseguem que os homens que as rodeiam façam tudo, ou quase tudo, do jeito delas. Ela saberá que, nessa família, teve uma mulher de olhos azuis a quem todos obedeciam e que, hoje, são as sete mulheres (com ela oito) que ditam as regras. Se um dia souber do diálogo acima, olhará para o seu pai babão e que por ela tudo faz e não entenderá nada. Estando nessa família, essa menina vai logo aprender que machismo merece deboche, que as mulheres não são iguais aos homens (e nem melhores, e nem piores) e que são justamente as diferenças que tornam tudo bem mais divertido.

Esse post merece o filme belíssimo que a Lápis Raro fez para o Dia Internacional da Mulher:

sábado, 21 de março de 2009

Dá pra fazer

Tem coisas que só o horário eleitoral gratuito faz por você. Em BH, na última campanha pela prefeitura, foi o bordão "dá pra fazer". Não consigo mais falar que algo é possível sem recorrer a ele e, acredito, muitos belohorizontinos sofrem desse mal.

Eu amo propaganda (bem feita, claro!). Como
há três posts abaixo eu disse que o Ministério da Saúde só faz propaganda "desconectada" tentando incentivar o uso da camisinha (desconectada, nesse caso, é sinônimo de "héin?"), venho aqui provar o meu argumento com propagandas fantásicas sobre o tema garimpadas no youtube (algumas já foram mais do que disparadas por e-mail).

Propaganda boa de camisinha. Isso dá pra fazer.