terça-feira, 3 de março de 2009

Ver pra quê?


Sabe aquelas pessoas que assistem novela e BBB, mas insitem em dizer que "só estava dando uma passada, zapeando e vi sem querer...". Eu que, sem vergonha (na cara), assisto e comento sobre novela e BBB, tenho a mesma relação com a Revista Veja. Não chego ao ponto de comprar um exemplar, mas como aqui em casa assina, eu sempre pego a bendita (?) pra ler. A minha hipocrisia é tanta que fui e sou à favor da campanha "não veja", mas nunca resisto.

Existe um motivo. Creia: pode existir um motivo até para ler a Veja. O meu, é que a revista sempre consegue me surpreender. Quando eles colocaram a foto dos estudantes que invadiram a reitoria da USP ao lado da foto do PCC, ilustrando uma matéria sobre o aumento da violência em SP, pensei: a Veja não conseguirá se superar. Talvez ainda não tenha conseguido, mas eles estão, semanalmente, tentando.

Na edição dessa semana, a matéria "Assim, eu assino" fala dos novos contratos entre casais. Em um quadro intitulado "Convencer sem ofender", dicas para que a proposta da assinatura não signifique o fim da relação e quatro ilustrações: um homem mostrando o contrato a uma mulher, um casal abraçado sob um saco de dinheiro, uma mulher feliz lendo um contrato cheio de coraçãozinhos e um casal apaixonado em uma ponte. Ao lado dessa última imagem, os dizeres (prepare-se):

"As mulheres costumam gostar da ideia (olha a Veja na reforma aí gente!) de uma festa para comemorar a união. O parceiro pode sugerir um pacote: festa e cerimônia de assinatura do contrato, que acaba fazendo parte da comemoração".

Sou militante dos contratos. Sou contra a idéia de encaixar todas as mulheres em um esteriótipo tão ou mais antigo quanto o "se guardar virgem". Conheço mulheres que querem casar e que não querem. Conheço aquelas que só querem assinar um contrato e não fazem questão de festas. Conheço mulheres que detestam romantismo e aquelas que se derretem com flores vermelhas. Conheço mulheres e homens de verdade. Uns maravilhosos, outros cretinos, mas reais. A Veja, ao contrário, só conhece modelos e nem se dá ao trabalho de atualizá-los. Melhor ver novela, onde as mocinhas e os vilões fazem sentido.

OBS.: a imagem que ilustra esse post foi retirada do site http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html


8 comentários:

  1. Falei que serei assídua...
    Estou adorando... rsrsrs
    Beijo

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  2. Leonardo Beltrão4 de março de 2009 06:38

    Eu também conheço várias mulheres, mas amo mesmo enlouquecidamente - e pro resto da vida - a minha.

    Afinal, apesar de "militante" dos contratos, não se enquadra em esteriótipos, pois hora quer flores vermelhas, hora odeia romantismo, hora prefere a praticidade, hora quer festa. Mas, com toda certeza, todas as horas a gente se quer.

    O blog está lindo, eu não entrei antes por simples falta de tempo.

    Beixus, depois Baixus.

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  3. Opa,

    Acho que você errou o link, o certo é:

    http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html

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  4. Como dizia Mario Quintana!

    Mas que monótona não deveria ser a vida amorosa de Don Juan! Ele pensava que todas as mulheres eram iguai...

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  5. Wellington, fico feliz que esse blog esteja sendo um espaço de manifestações de homens gentis, como o você, Leo (acima) e Bruno http://beredeberenice.blogspot.com/2009/03/balzaquianas-pesquisa.html#comments

    Obrigada pelo comentário

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  6. A Veja é ridícula... já seu blog, esse é muito bom! Virei mais vezes! :)

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