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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Nunca machuca

Nunca bate. Sempre belisca.
Nunca empurra. Sempre cutuca.
Nunca grita. Sempre resmunga.
Nunca cospe. Sempre cala.
Nunca destrói. Sempre desconstrói.
Nunca vai embora. Mas também não fica.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Reação

Exército da morte.
Mercenários.
Torturadores sanguinários.

Quem paga os seus salários?

Pra preto e pobre, cassetete.
Sai fora pivete!

Nem todos são maus (é o discurso do jornal).
Mas o mal também reside no calar.
Não reagir e aceitar.
E a desculpa, pra variar?
Tenho meus filhos pra alimentar.

Também os tem aqueles que apanham.
Humilhados e destroçados.
Exterminados e desgraçados!

Impacientemente espero.
A hora de vocês irá chegar.
Quero ser a primeira a gritar.
De dentro de mim sairá um urro reprimido e profundo:
MÃO NA CABEÇA VAGABUNDO!

Leia: O que não vaza é pele

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nós dois

Eu e o mundo. Dois estranhos. Não pertenço a ele. Ele não me pertence. Aqui, definitivamente, não é o meu lugar. Para os que amo, sou inimigo. Para meus inimigos, não sou ninguém. Louca a bradar bandeiras de lutas vãs. Tenho asco do mundo e da gente que nele se encaixa. Quero os malditos, os insanos, os desgraçados, os abandonados. Quero os que vagam, apanham e sentem frio. Quero os sem nome, sem mãe, sem dignidade. Quero a margem, o gueto, o nada. Mas desisto. Quero, mas não consigo mais. Abro mão. Desço. Vou embora. Aos guerreiros, deixo a espada. Sou covarde. Não quero mais. Desisto do mundo. Desisto do Homem.