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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Frase de Natal

Quando era mais nova, amava cartões. Comprava-os (aos montes), colecionava-os e enviava a amigos (aos queridos). Mania que me fez passar horas na papelaria lendo frases (as do Garfield eram as melhores). Hoje, uma delas me vem à cabeça. Acho que já mandei esse cartão para pessoas que moravam longe, mas nunca ele fez tanto sentido (será que quando memorizei tal frase sabia que um dia ela caberia tão espetacurlamente em minha vida? Será que nosso subconsciente é, na verdade, um irônico vidente?). A frase é: "Sem você, o Natal ainda será Natal, mas será muito menos feliz". Simples e definitiva.
*
À Beta, por aparecer na madrugada de Natal com colo e biscoitos;
À Tia Silvana, por continuar quando ninguém mais o faria.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Igual

O mundo está igual. Incrivelmente o mesmo. A jabuticabeira não se recusou a dar jabuticabas e as plantas do jardim derramaram-se em flores com a chegada da primavera. Todos os dias, o sol nasce no nascente e se põe no poente. Sem rebelião. Sem questionamentos. Os passarinhos continuam cantando, até mesmo as rolinhas marrons do quintal. A família também está igual: com brigas, pazes, risadas, almoços e aniversários. Sim. As pessoas continuam fazendo aniversário. É de se estranhar, eu sei, mas o tempo não parou.

E eu? Acordo e durmo diariamente. Encontro meus amigos, choro, assito filmes e me divirto. Almoço e janto. Sabe que até trabalho? Trabalho, amo e escrevo. Minhas roupas e meus móveis ainda são os mesmos. São os mesmos os meus discos e os meus livros. É o mesmo o dia em que a faxineira vem arrumar a casa.

Às vezes, a permanência me dá um susto. Custo a acreditar que você não existe mais e que, mesmo assim, o mundo, a jabuticabeira, o tempo, os passarinhos, o sol, as flores, os móveis, a família e eu continuamos. Inalterada e resoluta, a vida segue.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ausência

Não me incomoda que não exista futuro. O que é o futuro senão um amontoado de achismos? Um lugar onde somos, irremediavelmente, felizes, magros, bem-sucedidos e amados. Aquele momento perseguido e nunca, jamais, encontrado. Não. Definitivamente, essa impossibilidade não me aflige. Há muito abandonei a ilusão de conquistar o tempo como fiador. Aceito, de mal ‘grado’, a falta de garantias.

O que me incomoda mesmo, me perturba o sono e me tira a fome, é não termos presente.