terça-feira, 15 de junho de 2010

Busca


Aquilo que urgentemente, fervorosamente e desesperadamente desejo é apenas, e tão somente, me curar de mim.

domingo, 30 de maio de 2010

Não tente mergulhar em mim

Não tente mergulhar em mim.
Carrego no peito uma placa que diz em letras garrafais: “Proibido ultrapassar”.
Sendo assim, não ouse, não force, jamais invada.
Deixe minha máscara onde ela está.
E não me desnude com sua impertinência.

Não tente mergulhar em mim.
Medos e sonhos são reservados a poucos.Escolhidos a dedo.
A você, nada além de trivialidades.
Devaneios sobre vestidos de primavera ou aventuras de verão.
Contente-se com a epiderme.

Não tente mergulhar em mim.
Dessa porta, você não carrega a chave.

sábado, 22 de maio de 2010

Estação


Na estação deserta,
Cheia de esperança, mala azul desbotada, sapato vermelho, casaco marrom, laço no cabelo.
Espera, espera, espera.
Senta, levanta, olha a estrada.
O relógio grande de metal da parede faz tic-tac, tic-tac
e tic-tacteia o tempo.
Tic-tacteia sua ansiedade.
O trem velho aparece em câmera lenta.
Mãos geladas, coração acelerado, respiração interrompida.
Desce a velha, a criança, o bêbado.
Ninguém mais.
Ninguém não veio.
Desembarcou na estação errada.

domingo, 2 de maio de 2010

Brado mudo

Cena de "Terra em Transe"

Na última sexta-feira, acordei com vergonha de ser brasileira. Daqui a pouco estarei em Buenos Aires e talvez fique por lá mesmo. Certamente, torcerei para o Chile na próxima Copa do Mundo. O motivo? Porque somos o país do “pra debaixo do tapete”. É assim que resolvemos nossas questões e conflitos. É assim que pretendemos seguir adiante. Foi o que demonstrou, mais uma vez, o STF ao se recusar a revisar a Lei da Anistia. Torturadores e estupradores, sob a benção oficial, permanecerão sem serem julgados.

Um dos pronunciamentos mais infelizes foi o de Ellen: “não é possível viver retroativamente a história”. Poupe-nos, ministra! Enquanto os arquivos não forem abertos e os responsáveis não forem julgados, a ditadura militar será uma história ainda vivida e não passada. Dilma também escorregou (talvez, no seu próprio passado) e disse ser contra o “revanchismo”. Já as famílias de torturados e desaparecidos preferem chamar de justiça.

Enfim, na última sexta-feira acordei com vergonha de ser brasileira. O brado retumbante deste povo “heróico” há muito se calou.

Veja a sensacional "Campanha pela Memória e pela Verdade" feita pela OAB-RJ: http://www.youtube.com/watch?v=b_lrjkAWAZk&feature=related

terça-feira, 27 de abril de 2010

Duas formas do Thiago partir


Thiago está de mudança pra Oslo e eu achei péssimo. Ele mora em Londres. Londres fica a cerca de 8 mil quilômetros de Belo Horizonte. Para Oslo são 10 mil. Dois mil quilômetros a mais de distância. Quando Thiago morava por essas bandas, em algumas épocas, nos víamos sempre, todos os dias. Depois, ficávamos com overdose um do outro e passávamos meses sem nem nos falar. De qualquer forma, era reconfortante saber que ele estava aqui e que para ter seu colo bastava um telefonema – a qualquer hora do dia ou da noite.

Thiago está de mudança pra Oslo e eu estou toda orgulhosa. Ele mora em Londres, onde está concluindo seu doutorado. Quando Thiago morava por essas bandas, em algumas épocas nos víamos sempre, todos os dias. Hoje, para resolver a saudade e não ficarmos meses sem nos falar usamos a tecnologia. Mesmo assim, conversamos pouco. De qualquer forma, é reconfortante saber que ele está aqui, a um clique – a qualquer hora do dia ou da noite – mesmo com o fuso horário.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Semana

Joana comprou apartamento. Casou. Thiago me chamou no skype e aplacou minha saudade de melhor amigo. Gargalhou. Matheus comprou camisa preta para ir ao show do Guns N´ Roses. Desabrochou. Maria leu o blog. Revoltou. Carol colocou aparelho. Reclamou. Leo me chamou de chata e depois disse que me amava. Abraçou. Didi me chamou pra almoçar. Chorou. Papai me deu um sapato. Comprou. Mariana mandou o e-flyer da empresa. Arrasou. A cliente me ligou cobrando o trabalho. Chateou. E tudo foi tão diferente e ao mesmo tempo tão igual nesta semana. Passou.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Crise Existencial


A força das coincidências é tão grande que, a ela, deu-se o nome de destino. Seguimos, efetivamente, um script? E qual o papel de cada um nessa grande peça que fomos convocados a encenar? Podemos escolher com quem contracenamos ou quais são as nossas marcações? Até onde vai o poder do roteirista? Têm os atores algum poder? Quem é o diretor? E, talvez, a mais importante das perguntas: quando sair de cena?


Manu, obrigada pela paciência