Recebida em 23 de outubro de 1992.
Julia,
Eu penso em seus doze anos,
e te imagino enfoguetada,
apagando suas doze velas,
e comandando a garotada.
Toda assim, saltitante e feliz!
Rindo aqui, cochichando ali, gritando lá.
Pensa ser a dona do seu nariz!
Vou cortar suas asas já, já!
E eu de longe a te observar,
filha minha, como tens crescido!
Quero com você comemorar,
escutar todo este alarido.
E de tanto imaginar a sua festa,
de tanto desejar estar aí,
vejo no meu prato que ainda resta,
um pedaço do kibe que comi.