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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Juca

Juca não fazia poesia,
Nelas, ele vivia,
Nunca ficava calado,
E falava tudo rimado.

Pra comprar pão na padaria,
Tinha que mencionar a tia,
Pra encomendar do dente uma prótese,
Tinha que recorrer a hipótese.
E quando não encontrava,
Alguma palavra que rimava,
Juca emburrava,
E de assunto mudava.

Até que Juca perdidamente se apaixonou,
Pela colega de trabalho ele se enamorou,
Mas entrou em um dilema,
Não pensava em nada pra rimar com Efigênia.

E, sem verso e nem prosa,
Sem rima e nem rosa,
O romance de Juca acabou.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Retorno

Voltei. Tinha decidido matar este blog, liquidá-lo por total e absoluta falta de inspiração. Mas Joana, a anônima-revelada do post anterior, insistiu pelo retorno. Incrível como sua doçura exerce sobre minha carapuça - dura como rocha - um grande poder de persuasão. Este blog agora terá destino certo: Joana em suas tardes de tédio. Acho que ela é a única pessoa que ainda entra aqui. Será, portanto, um diálogo - uma conversa entre amigas impedidas pelo dia-a-dia de conversarem tanto quanto queriam.

Além disso, tenho um problema com o fim, a morte, a perda definitiva. Acho lastimável que algo termine, se finde indefinidamente ou, pior, eternamente. Voltar a escrever aqui é, portanto, minha pequena e silenciosa revolta contra o fim das coisas.