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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tomás

Sempre que via Carla, Tomás tomava um susto. Susto daqueles: seu coração disparava, o ar faltava e a vista embaçava.

No início do namoro, ele achou que era normal. Carla, sempre mais linda, mais inteligente, mais carinhosa, mais apaixonada por Tomás. Carla sempre se superando. E Tomás, assustando.

Nas primeiras vezes, Carla se preocupava: “acudam, Tomás está tendo um troço”, mas depois, nem ela mais ligava. Acontece que os anos passaram e os sustos, ao invés de cessarem, aumentaram.

Carla queria casar, mas Tomás não podia nisso nem ouvir falar. Imagina você, todos os dias, um susto tomar? Tomás, não agüentando mais Carla nem visitar, procurou o médico da família, Castor. “Me ajuda, doutor?”. Mas para aquilo não tinha remédio nem explicação, nem em toda a medicina, doutor Castor encontrou uma solução.

Tomás decidiu com Carla terminar. Depois de assustar, a comunicou que com aquele romance não podia continuar. Carla, aos pés de Tomás se jogou, pediu, chorou, implorou. Ele, então, entendeu: “ela é normal, como eu”. Dessa história, final não há. Naquele mesmo dia, foram para o altar. O amor até hoje durou e Tomás nunca mais assustou.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Enfim, Joana e Rodolfo


E o menino que gosta do palco encontrou a moça que só quer ficar na coxia. E descobriu que seu sorriso doce é longe de ser bobo e, por isso, melhor andar na linha. Logo, percebeu que ela é de poucos, mas de grandessíssimos amigos e que é capaz de tudo, “de um tudo”, por aqueles que ama. Com um beliscão, ficou sabendo que ela não tem ciúmes da vizinha, mas ele que não ouse olhar para a Aline Morais. No pacote, notou que vinha junto uma irmã que lhe mandaria pro sofá, mas tudo bem. Por uma menina que tem medo de avião, mas pega um helicóptero e vai para o alto mar, vale à pena. E o menino que gosta do palco encontrou na moça da coxia sua mais entusiasmada platéia.

Enfim, Naninha e Seu Dedé


Foram as tias de mãos habilidosas que, de madrugada, tudo prepararam. Flores brancas, folhas verdes, velas e um espírito santo no altar. Quando ela surgiu, linda e travestida de imaculada, (re)significou o sentido da pureza. A vó exigiu e aprovou a benção oficial. Ao se virarem, porém, perceberam que todos os que importavam estavam ali, consagrando-os, como se dissessem “vão que estamos lhes vendo. Se precisarem, gritem”. Os pais, por alguns segundos, tiveram a ilusão de que eles tinham crescido. Depois, lembraram que os filhos não crescem nunca. Teve até quem percebeu a presença de alguém que há muito se foi. A promessa ficou pra irmã e a chuva respeitou sua hora de aparecer. Ela cantou pra ele. Ele, em troca, convocou os deuses do trovão e, de repente, caiu fulô, no céu e na terra. Todos dançaram, giraram, sorriram e celebraram, juntos, o amor.