
Foram as tias de mãos habilidosas que, de madrugada, tudo prepararam. Flores brancas, folhas verdes, velas e um espírito santo no altar. Quando ela surgiu, linda e travestida de imaculada, (re)significou o sentido da pureza. A vó exigiu e aprovou a benção oficial. Ao se virarem, porém, perceberam que todos os que importavam estavam ali, consagrando-os, como se dissessem “vão que estamos lhes vendo. Se precisarem, gritem”. Os pais, por alguns segundos, tiveram a ilusão de que eles tinham crescido. Depois, lembraram que os filhos não crescem nunca. Teve até quem percebeu a presença de alguém que há muito se foi. A promessa ficou pra irmã e a chuva respeitou sua hora de aparecer. Ela cantou pra ele. Ele, em troca, convocou os deuses do trovão e, de repente, caiu fulô, no céu e na terra. Todos dançaram, giraram, sorriram e celebraram, juntos, o amor.