Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador felicidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Masoquistas!

Amor não é alegria. É angústia.
Não são fogos de artifício. É implosão.
No lugar da paz, inquietação.

Amor é ansiedade em seu estado puro.
Essencialmente, pertubador.
Amor é loucura e, valham-me os clichês, rima com dor.

Amor faz da dúvida morada.
Me ama? Ficará comigo? O que está a pensar?
A mente do ser amado: um mistério a decifrar.

E, mesmo assim, tem o Amor um incontável séquito de seguidores.
Masoquistas do coração, escolhem na incerteza viver.
Gritam de peito aberto e a plenos pulmões: que venham o medo e a insegurança.
Não são alegres. Seres cuja ideia do fim está sempre à espreita.
Mas como são felizes os desgraçados!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Escolha

Entre tantos caminhos,
Entre tantas possibilidades,
Escolho eu, a felicidade.

Sinto saudade, fome e sede,
Sinto insegurança e frio,
Sinto medo e ardo em vontade,
Ainda assim,
Escolho a felicidade.

E eu que até hoje não sabia,
Que felicidade se escolhia.
Pensava ser coisa que o acaso,
Destinava aos merecedores:
- Bem-aventurados prometidos!
Mas não.

Felicidade não é destino,
É movimento.
Não é benção,
É ação.
Não é estado,
É trabalho (árduo até, ouso dizer).

Sim, é verdade,
Existiam outros caminhos,
Existiam outras possibilidades,
Mas eu estou firme e forte:
Fechei com a felicidade.

domingo, 10 de outubro de 2010

Um dia qualquer

Hoje, o dia foi preenchido de delicadeza (momento Muquito). Pela fresta da janela, a brisa do mar entrou para me despertar logo nas primeiras horas da manhã. Aqui, sou uma versão de mim que acorda cedo e feliz. Talvez, devido à promessa de um dia inteiro de preguiça de sol sem relógio. Um alegre tédio.

Após o longo desjejum – tomado com a mesa posta, sem atropelamentos –, conheci Zenóbia. O presente veio das mãos da Naninha anos atrás, mas ficou na estante livros-que-ainda-vou-ler. Nos últimos tempos, a fila de minhas pendências literárias tem, incrivelmente, andado. Chegou a vez de “O livro de Zenóbia”, que foi colocado na bagagem junto com algumas coisas que não podem faltar em uma mala que se julgue minha: máquina fotográfica, caderninho de anotações, IPod, óculos escuros e líquido para lente de contato.

Leitura e pé na areia. Banho gelado de mar e música calma no ouvido. Sons novos e antigos. Amores antigos que se renovam. Ao cair da tarde, os amigos cozinharam. Amizade declarada com farinha, ovos e manteiga. O cheiro bom das panelas, o sol, a brisa, o mar, o livro, o som, a preguiça... Hoje, fiz carinho na minha alma.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Mar


Ele é meu porque o escolhi (certas vezes me pergunto se não fui eu a escolhida). Ele não é mais bonito, mais quente ou mais transparente que os demais. E, ainda, pode ser tão traiçoeiro quanto qualquer um deles. Ele, porém, tem o que nenhum outro tem: é meu. Não de forma exclusiva como suplicam os amores egoístas. Entendo, sem relutância, que ele não é só meu, mas é meu também e isso me basta.

Ano após ano, ele me promete a renovação. Carrega, ora com ternura, ora com violência, tudo aquilo que não faz mais sentido levar comigo. Faz isso só para provar que me ama também. Só para que, ao seu lado, eu esteja em casa. E consegue. Aqui, não sou mancha no contexto - elemento incômodo que, por mais que se esforce, não se encaixa. Aqui, sou parte. Sou eu mesma a paisagem. A areia, fina e branca, é das minhas pernas prolongamento. As gaivotas riem para mim enquanto voam em busca de peixe, o vento faz cócegas em minhas orelhas e as dunas me chamam em coro: vem menina! vem depressa! suba e desça correndo! esperamos tanto você voltar... E o Mar me conta os segredos das sereias e me dá conselhos. Refresca minha mente e minha alma.

Às vezes, é severo, me ensinando que constante candura não é sinônimo de amor maior, mas de preocupação pouca. Quando acha necessário, aponta para o Forte construído nas pedras e me diz que, há séculos, bate contra ele com as mais violentas ondas que possuí e que nunca, nem uma única vez, ele se abalou. É o jeito do Mar dizer que devo ser eu também uma fortaleza. É a sua forma de pedir para que eu não me abale nem diante das mais violentas ondas. E eu prometo ser o Forte mesmo quando me sentir brisa. Não quero desapontá-lo, afinal, ele tem o que nenhum outro tem: é meu.