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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Curtas do Adeus

  • Adeus pode ser tristeza, libertação, recomeço ou saudade. Adeus só não pode ser continuidade.
  • A palavra “adeus” guarda em si todo o sentido do definitivo. Pronunciá-la dá nó na garganta.
  • Às vezes, dar adeus é tão difícil, mas tão difícil, que ficamos dando tchau até criarmos coragem.
  • Somente no “adeus”, o caminho conhece seu fim. Adeus é o epílogo em forma de gesto.
  • Como que uma palavra construída com deus pode ser tão triste? Será, justamente, por isso?
  • “A deus” o que? Ele não precisa de nada. A mim, A nós, A eles.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Curtas do Silêncio

  • O silêncio pode ser muito, pode ser pouco, pode ser angústia, pode ser alívio, pode ser calma, pode ser espera. Para mim, silêncio é sempre barulho interno.
  • Silêncio é ausência de som ou de comunicação? Falar por mímica é falar em silêncio?
  • Quando leio avisos do tipo “silêncio, por favor”, tenho vontade instantânea de gritar.
  • Tentei brincar de vaca amarela com o meu coração, mas nem assim o rebelde cala a boca.
  • O seu silêncio em mim é a mais refinada e cruel forma de tortura. Mata-me devagarzinho.
  • Faça silêncio. Cuidado para não despertar meus demônios.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Curtas da Idade

  • Mais celulite, mais estria e, incrivelmente, menos constrangimento ao tirar a roupa;
  • Se os anos são o custo da maturidade e se maturidade é não se importar com a opinião alheia, acho que paguei barato;
  • Não sofro porque envelheço. Sofro porque os anos me separam da inconseqüência sem conseqüências;
  • Onde está a serenidade que tanto me foi prometida? Experiência não traz maturidade. Traz lembranças.

sábado, 16 de outubro de 2010

Curtas da Amizade

  • Amigo não é aquele que isso ou aquilo (abaixo aos manuais da amizade!). Amigo é tão somente a pessoa que, por motivos ainda não esclarecidos, escolhemos para caminhar conosco.
  • Se a amizade fosse um objeto, seria um estojo Caran d`Ache 36 cores. Amigos são lápis de cor aquarelados com os quais pintamos nossa existência.

  • Disseram: amigos são a família que nos permitiram escolher. Então, ser amigo de um familiar é maravilhosamente unir destino a desejo.

  • Jogo-me em frente a uma bala de revólver para salvar a vida de um amigo querido, mas sou capaz de perder essa mesma amizade por uma boa piada. Isso anula o sacrifício?

  • Uns três ou quatro garanto que serão meus amigos para sempre. A eles, fui capaz de revelar o que em mim existe de mais sombrio e, ainda assim, me amam.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Curtas da Chuva da Noite

  • Ontem, desolado, o céu chorou a madrugada inteira a falta de nós dois.
  • Confesso: o medo de trovão é puro fingimento para segurar com força a sua mão.
  • Escuta pequena! Escuta os pingos no telhado! É a serenata de água que convoquei para te ninar.
  • Vem chuva da noite! Lava meus sonhos, inunda minha alma e mostra-me como és: água, fúria e vento.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Curtas da Saudade

  • Saudade não é sentimento, estado, condição ou poesia. Saudade é urgência.
  • O contrário da alegria não é a tristeza, mas a saudade.
  • Antes a saudade me queimando a alma, do que o deserto que é nada sentir.
  • Foi solenemente condenada à saudade eterna por ter infringido as leis do amor: amou mais mais do que nela cabia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Curtas da Tristeza

  • Se, por algum acaso, eu parar de chorar pra fora, acudam! Estarei afogando por dentro.

  • Caso o sol apareça, estenderei na janela minha alma encharcada.

  • Em tão vasto léxico não consigo encontrar palavra que descreva a dor que agora sinto.

Mais agradecimentos ainda:
Às minhas tias Silvana e Eliana pelo aconchego familiar
À Tia Yolanda por sempre sorrir
À Manu pelo carinho, ao Daniel pelo pranto e ao Dan pela visita
Aos meus irmãos e aos meus pais por me amarem